A Família "Hexa"

Mutações genéticas 

Família “Hexa”

Ora viva, caros leitores! Devem estar a perguntar-se o que trago cá hoje e bem, vocês aí têm todos apenas cinco dedos em cada mão?

Que raio de pergunta não é?!

Trago aqui o caso de uma família em que 15 membros nasceram não com quatro, não com cinco mas sim com seis dedos.

Esta ocorrência chama-se Polidactilia e é uma mutação que forma um dedo a mais. Se alguém nasce com mais um dedo nas mãos ou nos pés estamos perante uma mutação, esta pode ser causada por modificações genéticas hereditárias, ou seja, os genes responsáveis por essa alteração podem ser transmitidos de pais para filhos. Isto acontece pela manifestação de um alelo autossômico variável,dominante com expressividade, consistindo na alteração quantitativa anormal dos dedos da mão ou dos dedos pé. Há uma variação muito grande na expressão dessa característica, desde a presença de um dedo extra, completamente desenvolvido, até a de uma simples profusão carnosa.

Esta é uma simples família brasileira como as outras em que a sua “marca de família" é um dedo a mais. Esta mutação genética fez com que 15 dos 22 membros da família tivessem seis dedos em cada mão estando este dedo localizado entre o polegar e o indicador. O movimento de pinça, normalmente usado para segurar objetos, é feito com ele, que tem um papel funcional no corpo.

Sílvia, filha de Francisco de Assis Carvalho da Silva, conta que dos quatro filhos deste senhor, três, incluindo ela, nasceram com seis dedos. O que nos diz que esta anomalia estava nos genes do pai e ou da mãe. Netos e bisnetos herdaram também a anomalia e dizem estar acostumados a lidar com olhares curiosos de quem percebe, mas não entende, a tal marca da família.

Muitas são as perguntas face a tal “diferença” como, “Ficará a manicure mais cara?”, “Tem vantagens?”, “Como funciona o cérebro face a um sexto dedo?”,...

No caso desta família, esta aprendeu a ver e a conviver bem com esta mutação genética. As crianças foram desde cedo ensinadas a valorizar esta diferença o que acho de enorme importância tendo em conta a sociedade “podre” em que vivemos, em que tudo o que não seja “igual” é motivo de preconceito. Maria, de 12 anos, uma menina desta família toca piano desde os 10 anos e foi desde sempre recomendada pela mãe a usar sempre o seu sexto dedo nos exercícios pois se é um dedo funcional como os outros tem de ser usado como os restantes. Maria conta que assim que aprendeu as técnicas para usar todos os seus dedos sentiu que ter o "dedo extra" tornava até mais fácil, "Consigo alcançar mais teclas do que a maioria das pessoas e ter mais agilidade entre as notas".

Práticas do dia a dia também foram adaptadas, como por exemplo, na escrita, estes agarram na caneta entre o segundo e o terceiro dedo. Quando apontam algo por vezes causam um certo incômodo nas pessoas pois esta família usa o “dedo do meio”, o chamado dedo feio, que aqui desempenha a função de indicador.

Na escola, os mais jovens da família também aprenderam a naturalizar a condição, o que não acredito ter sido tarefa fácil vendo todos os colegas com apenas cinco dedos.

Nesta família, entre as meninas, a família optou por retirar um dos dedos do pé ainda quando são bebés. O motivo, além de estético, é a dificuldade em encontrar sapatos femininos mais largos, feitos para quem tem seis dedos.

Na medicina há poucos registros de pessoas nesta mesma condição e não é possível estimar o quão frequente é a característica de um sexto dedo com uma função evidente, mas, segundo especialistas, é possível dizer é que "entre 3% e 5% dos  bebés nascem com algum defeito congênito, e que os dedos a mais são os mais recorrentes".

A alteração genética está ligada à hereditariedade e, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, não há fatores externos que possam desencadeá-la. O mais comum é que a pessoa nasça com apenas um dedo a mais em cada membro

Embora geralmente os dedos a mais funcionem bem, a cirurgia para extraí-los costuma ser recomendada. Mas a mudança nas mãos e nos pés não chega nem a ser uma opção para a família “hexa”.

Esta familia é um caso de muitos outros em que existem mutações.Felizmente a desta familia não lhes põe risco na sua saúde e estes aceitam bem esta “diferença”.

Muitos são os casos em que mutações metem em risco as vidas em questão como diversas doenças hereditárias e muitos são os casos em que as pessoas têm dificuldade em aceitar.





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